O atual editor do "Daily Mirror", Richard Wallace, admitiu que a prática de escutas ilegais "poderá ter ocorrido" no seu tabloide, no início dos anos 2000.
Wallace dirige a publicação desde 2004, quando substituiu Piers Morgan que fora despedido pela publicação de fotografias falsas de supostos soldados britânicos a abusarem de iraquianos.
Apesar de ter admitido a possibilidade do seu jornal ter feito escutas ilegais, Richard Wallace ressalvou não ter tido conhecimento dessa atuação e que o funcionamento da redação do "Daily Mirror" está "embebido em ética".
Declarações anteriores de Piers Morgan, também um conhecido entrevistador da CNN, fizeram crescer as suspeitas de que as escutas telefónicas teriam sido levados a cabo pelo tabloide durante o período em que o dirigiu.
O caso McCartney
Morgan disse que o seu anterior comentário de que "imensos jornalistas estavam a fazê-lo" (escutas ilegais de mensagens de voicemail) fora apenas baseado em rumores, recusando-se a esclarecer como ouvira uma mensagem de voz que o ex-beatle Paul McCartney deixara no telemóvel de Heather Mills, com quem era casado.
A descrição que fez da mensagem, num artigo que publicado em 2006 no "Daily Mail", criou suspeitas de que teria obtido a mensagem através de escuta ilegal. Heather Mills declarou que não a poderia ter obtido de modo "honesto".
O caso Sven-Goran Eriksson
Em relação às notícias publicadas em 2002 sobre a vida amorosa do então treinador da seleção de futebol de Inglaterra e antigo treinador do Benfica, Sven-Goran Eriksson, Wallace admitiu que as escutas telefónicas também podem ter sido a fonte da história.
As declarações foram efetuadas no inquérito sobre a atuação dos media britânicos que está a decorrer na sequência do escândalo do "News of the World" e com o objetivo de levar a um parecer para alterações legislativas para uma melhor regulação da comunicação social.
A editora de outro tabloide, o "Sunday Mirror", declarou à comissão de inquérito não poder estar segura que as atuações ilícitas também não tenham tido lugar na sua publicação, mas que os proprietários declararam não ter planos de lançar uma investigação interna sobre o assunto.
Secretário de Estado diz que se pode justificar em casos de "grande gravidade"
Entretanto, o secretário de Estado britânico da Justiça, Kenneth Clarke, sugeriu que atuações ilegais, como escutas telefónicas, podem ser justificadas quando usadas para denunciar casos de "grande gravidade" e de interesse público e que nessas circunstâncias os jornalistas não devem ser incriminados.
"Em alguns casos pode se justificar que os jornalistas vão aos limites", afirmou Clarke, "normalmente não penso que se deva obter histórias por suborno, chantagem os escutas telefónicas... Apenas ocasionalmente o fazem porque estão a investigar casos de grande gravidade".