Uma "chamada de atenção", que vai "com certeza reforçar a vontade do ministro em resolver os problemas" que estão na origem da insatisfação dos militares. Para o general Loureiro dos Santos, é este o essencial a reter da carta aberta dirigida ao ministro da Defesa.
"Tirando aspetos pontuais e a parte final dessa carta, em que são elaboradas questões de política geral que a meu ver não lhe competem", disse Loureiro dos Santos ao Expresso, "a verdade é que a Associação de Oficiais das Forças Armadas aponta uma série de questões sensíveis, que sei estarem a provocar grande insatisfação entre os militares".
Entre essas questões, o general destaca o congelamento das promoções, "problema criado pelo Governo anterior, mas cuja solução se vai tornando mais difícil à medida que o tempo passa e que representa um acontecimento sem precedente na história militar", e os cortes na saúde.
A dureza do documento "pode não se justificar", mas resulta, na opinião de Loureiro dos Santos, de uma reação a uma expressão igualmente "muito forte" do ministro: "é claro que aos militares, sobretudo aos mais velhos, caiu mal, e não merecem, ouvir dizer que deviam repensar a sua vocação".
Quanto aos desenvolvimentos a esperar, Loureiro dos Santos elogia a frontalidade do ministro. "Creio que é um homem capaz de, perante argumentos sólidos, perceber o que está em causa e fazer tudo para resolver os problemas".