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Alexandre Relvas lança vinho dos Xutos

A Herdade de S. Miguel, de Alexandre Relvas lança esta semana uma edição especial de mil garrafas de vinho dedicada à banda Xutos & Pontapés.
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A carreira dos Xutos e Pontapés atravessa duas gerações da família Relvas
A carreira dos Xutos e Pontapés atravessa duas gerações da família Relvas  / Alberto Frias

Foi de uma conversa de amigos, entre Alexandre Relvas e Duarte Vasconcelos, o gestor comercial da marca Xutos & Pontapés, que nasceu a ideia de um tributo à banda em forma de garrafa de vinho.
A primeira experiência, em 2009, teve um carácter restrito e privado: o vinho circulou apenas entre os elementos da banda como prenda de Natal.

Um ano depois, a parceria entre a Casa Agrícola Alexandre Relvas e os Xutos ganha estatuto comercial com o lançamento no mercado de 500 caixas (mil garrafas) de uma edição especial que combina a enologia da Herdade de São Miguel com a decoração e o visual da banda.

A marca Xutos entra, aos 32 anos, no mundo dos vinhos com um Alentejo que incorpora Touriga nacional, franca e Cabernet Sauvignon.

Sem banalizar


A iniciativa "tem carácter comercial, mas houve a preocupação de não banalizar", refere Alexandre Relvas filho, 27 anos, diretor da Herdade de São Miguel. Alexandre formou-se em Viticultura e Enologia pelo Instituto Rural de Vayres (Bordéus) e estagiou em casas francesas, antes de se instalar no Redondo.

O segmento das edições especiais "é acarinhado por potenciar a notoriedade da Casa, mas a nossa vocação e especialidade é produzir sempre vinhos agradáveis e de grande qualidade para o mundo inteiro", refere Alexandre.

No caso dos Xutos, com uma carreira que atravessa gerações de fãs, "o público-alvo é o próprio povo português". Além do site da S. Miguel, a marca Xutos será vendida num pequeno grupo de garrafeiras, ao preço de €39,5 a caixa de duas garrafas.

Exportação em alta


Antes da experiência Xutos, a família Relvas associara-se à Fundação Aljubarrota, com uma edição de 2500 garrafas, repartidas entre as unidades portuguesas da cadeia El Corte Inglés e mercados de exportação, e encetara uma parceria virtuosa com a enóloga americana Elaine Montesqueu, colega de curso de Alexandre. Elaine produziu, com a marca Xeiro Xisto (6000 garrafas) uma versão 'americana', distribuída em exclusivo na Califórnia.

O mercado americano é, de resto, um dos principais destinos de exportação da Casa Relvas. Em 2010, exportou para 23 países 60% da sua produção de 1,13 milhões de garrafas, das cinco declinações sob a marca principal São Miguel. A faturação ficou nos 2,5 milhões de euros.

 A empresa "beneficia de excelentes parcerias comerciais que explicam o sucesso em mercados como a Bélgica, Brasil e Reino Unido. Em todos eles, temos margem para crescer", diz Alexandre Relvas.
A capacidade instalada está no limite, forçando a família Relvas a encarar uma futura ampliação da adega. A empresa estreou-se no mercado em 2003 e regista uma taxa anual de crescimento de 50%.

O plano, a cinco anos, é duplicar as vendas, reforçando a compra de uvas a viticultores da região. O investimento acumulado, entre adega e vinhas, na herdade é de 5 milhões. A família Relvas adquiriu a Herdade de São Miguel (175 hectares e com duas barragens) há 13 anos e prioriza a vinificação de castas portuguesas. A Logoplaste, de que Alexandre Relvas é um dos sócios, está também no negócio dos vinhos, através da Logowines.

Concerto no Hard Club


A celebração do vinho São Miguel/Xutos acontecerá no dia 13 (quinta-feira) no Porto, antes do concerto que a banda dará no Hard Club para assinalar o seu 32º aniversário. Faz sentido que o grupo abra com um dos raros temas (Dantes) que faz uma alusão indireta ao vinho: "Bebia mais um copo, matava-se o tempo".

Texto publicado no caderno de Economia do Expresso de 08/01/2011


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